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07/08/2009

É preciso conhecer a história para compreender o presente

*Por: Edilez Mariano de Brito

A passagem bíblica citada, retrata de forma marcante o último momento de Cristo ao lado dos seus discípulos, por ocasião da realização da santa ceia. Este ato motiva os cristãos a reviver aquele momento de fé e reverência, trazendo sempre à memória a esperança e o sacrifício ali representado. Jamais esquecer, registrar, guardar e relembrar destaques de nossa vida é verdadeiramente um grande ensinamento. Traçando um paralelo com a Polícia Rodoviária Federal percebemos, como um grande desafio para todos nós, o resgate de nossa história, dos nossos feitos, promovendo registros constantes e assim, possibilitando que o máximo de informações sejam preservadas.

Ao entrarmos no túnel do tempo, constatamos que parte de nosso passado foi esquecido ou se perdeu ao longo dos anos e com ele também a nossa história. Por vezes me deparo com as seguintes indagações: Quais são os grandes fatos marcantes ao longo da existência de nossa instituição? Quais foram as grandes expressões que registraram seus nomes em nossa instituição por feitos realizados? Quem foram os protagonistas de nossa história que ao longo dessa caminhada e, que por aqui passando, deixaram um legado capaz de sobreviver às intempéries do tempo? Esses questionamentos trazem em seu bojo o desejo de saber como tudo começou, o que foi feito, certo de que as respostas a essas indagações serão importantes subsídios para nos conduzir a um futuro melhor, reparando ou corrigindo a nossa rota se assim for preciso.

A Polícia Rodoviária Federal ao longo de sua trajetória sofreu algumas tentativas de homicídio, sendo aniquilada a conta gotas e, por vezes teve que ressurgir das cinzas para então continuar sua existência e caminhada. Tal situação se deve, em parte, principalmente à falta de uma política programática, óbice a continuidade de ações institucionais. As práticas implementadas, infelizmente decorrem de políticas de governo, sendo alteradas ao sabor de quem está à frente do governo ou da instituição; outro aspecto que percebe-se nocivo, é a falta de renovação sistemática e constante em seus quadros, aliada ainda a falta de capacitação, reconhecimento e valorização do material humano existente. Nesse diapasão constata-se que a legislação que disciplina o nosso sistema avaliativo é ultrapassada, retrograda e totalmente incompatível com a natureza de nossa atividade, necessitando de uma completa reformulação que seja equânime, justa e que efetivamente restabeleça o estimulo e a motivação do profissional.

Esta instituição octogenária, que completou 81 anos em julho, tem um longo caminho a percorrer. E em que pese a grita de alguns, as divergências existentes, por sinal salutar e necessário para o nosso crescimento, apresenta um horizonte cheio de perspectivas. Temos um modelo de carreira que é o sonho de outras instituições. Um quadro de profissionais invejáveis e cônscios de seu mister. Para tanto, precisamos acabar com as divisões internas que em nada acrescenta ou contribui para o fortalecimento de nossa instituição; precisamos da participação e do envolvimento de todos nos fóruns e espaços apropriados para discutir e deliberar sobre os nossos problemas; precisamos sim, de críticas, muitas críticas, mas que contenham conteúdos propositivos, que mostrem caminhos ou alternativas para a resolução das nossas questões.

Por fim, precisamos conhecer a nossa história, com um olhar para o conjunto, para todo o contexto e para o meio no qual estamos inseridos. Lembrando que todos que por aqui passaram, contribuíram para a construção dessa instituição. E sua consolidação com efetivo reconhecimento depende da atitude, postura e do compromisso de cada um de nós, seja enquanto cidadão seja enquanto profissional que a integra, sem esquecermos jamais que a história da PRF não começou comigo, nem com você. Houve um antes, há um durante e haverá um depois. E isso, deve ficar registrado em nossa memória.

Edilez Mariano de Brito – É Policial Rodoviário Federal no Tocantins (área fim). Ex-Presidente do SINPRF/TO, Acadêmico de Direito na UFT e atual Diretor de Comunicação e Divulgação da FenaPRF.


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